sábado, 10 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Veja as fotos!!!








Essas fotos a cima são de algumas 'Questura' (no plural Questure) da Itália.
Aqui é onde se fazia o antigo 'permesso di soggiorno', atual declaração de presença, para iniciar o processo de cidadania na Itália. Em muitas também é para fazer passaporte, pois não há uma diferença entre italianos e extracomunitários.
Aqui faz sol, chove e NEVA!!!
Na Itália não existe lei para idosos ou preferência para gestantes, todos são uma coisa só!
A porta geralmente é de ferro até em cima e não se vê nada. A polícia fica toda lá dentro não tem ninguém para impedir brigas, empurra-empurra, socos, pontapés, cotoveladas. Sim tudo isso! Aqui vc encontra de tudo, italianos, leste europeu, árabes, africanos e também BRASILEIROS!!!
Aqui também se vende lugar na fila, por uma pequena fortuna! Isso não eh privilégio só do Brasil.
Algumas tem senhas (que são sempre limitadas) outras é pela ordem de chegada (por um X número de atendimentos diarios ) !
Muitos chegam de madrugada no frio, na chuva, na neve para poder ser atendidos.
Muitos voltam para trás, outros já foram umas 5, 10 vezes, não conseguiram resolver nada e continuam a via sacra!
Já estive várias vezes acompanhando clientes, sim eu também fui a fila!
Será que alguém ainda vai reclamar da fila na porta dos consulados italianos, eu NÃO!
sábado, 3 de outubro de 2009
Fortes chuvas continuam na Sicília e teme-se que mortos cheguem a 50
O temporal que desde quinta-feira passada castiga a ilha italiana da Sicília continua aumentando hoje sobre a província de Messina, onde, por enquanto, as autoridades cifram em 20 os mortos, embora teme-se que o número de vítimas fatais chegue a 50.
Assim divulgou de madrugada o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, que, em Milão, confirmou os dados oferecidos até agora pela Defesa Civil e comentou que provavelmente irá hoje a Messina para comprovar o estado da região.
"Infelizmente, a situação é muito problemática. A cidade (de Messina) está completamente isolada e há rios de lama e deslizamentos", disse o premiê, em declarações aos meios de comunicação italianos.
"Estamos transportando as pessoas de cinco em cinco, com os helicópteros do Exército. Já há cerca de 20 mortos e 30 desaparecidos. No final pode haver pelo menos 50 mortos", acrescentou.
Berlusconi explicou que durante a noite os bombeiros tiveram que parar seu trabalho porque existe um "risco alto" de novos deslizamentos de lama e qualificou de "muito grave" a situação que se vive em Messina, onde 40 feridos ainda continuam hospitalizados e 400 pessoas tiveram que ser evacuadas de suas casas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Berlusconi apoia proposta de candidatura de ilha italiana ao Nobel da Paz

LAMPEDUSA, 1 OUT (ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, aprovou a proposta do cantor italiano Cláudio Baglioni de indicar a ilha de Lampedusa, no sul do país, e seus habitantes para o Prêmio Nobel da Paz.
O chefe de Governo italiano enviou uma carta à fundação O'Scià, criada por Baglioni. A instituição nasceu em 2003 para chamar a atenção sobre os problemas enfrentados pelos habitantes de Lampedusa com o fluxo migratório ilegal vindo da África.
"Aprovo e compartilho da sua proposta de atribuir o Nobel da Paz à ilha de Lampedusa, como símbolo da integração cultural entre Europa e Mediterrâneo. Nenhum país salvou tantas vidas no mar como a Itália, e a ilha de Lampedusa é uma boa testemunha", escreveu Berlusconi na carta endereçada à O'Scià.
O premier italiano ressaltou que "a política do governo, necessariamente severa em relação aos clandestinos e aos comerciantes de homens, contempla desde sempre o respeito dos direitos humanos, e portanto a acolhida e a integração dos migrantes que buscam um futuro melhor".
Na carta, Berlusconi enfatizou que a administração da ilha de Lampedusa merece o Prêmio Nobel da Paz por sempre acolher aqueles que "fogem das perseguições políticas, raciais e religiosas".
"Manifestações como a de vocês, além de exprimir o sentimento de solidariedade que, como povo de emigrantes, conhecemos bem, devem fazer todos entenderem que o problema da imigração não é local, mas excepcional, a ser enfrentado e resolvido em escala europeia", acrescentou.
Diferente dos outros prêmios Nobel, o reconhecimento pelas contribuições para a paz mundial não precisa necessariamente ser entregue a uma pessoa. O Nobel da Paz pode ser conferido a instituições.
Por outro lado, uma ilha ou sua população não podem receber a premiação. Este fator inviabiliza que o projeto do cantor siga adiante e que os organizadores do Nobel aceitem a indicação.
A ilha de Lampedusa é usada como porta de entrada da Europa para os imigrantes irregulares vindos dos países do norte da África. Muitos permanecem vários dias à deriva até conseguirem ser resgatados por autoridades da Guarda Costeira italiana.
No início do ano, a localidade sofreu graves problemas com a superlotação dos centros de acolhida de refugiados. O prédio em que os imigrantes ilegais eram detidos tinha capacidade para 800 pessoas, mas abrigava 1.800.
POR OUTRO LADO....
Lampedusa, a Guantánamo de Berlusconi?
por Marcos Guterman*
Dos 36.952 refugiados que chegaram de barco às praias italianas em 2008, cerca de 31 mil desceram na pequena ilha de Lampedusa. A maioria absoluta veio da África. Os que ficam no campo de transição existente no local enfrentam condições bastante ruins de vida, segundo a ONU. O premiê da Itália, Silvio Berlusconi, com sua habitual polidez, negou os problemas e disse que os refugiados podem sair quando quiser e “tomar uma cerveja”.
Antes, o governo da Itália levava esses refugiados para o continente assim que eles chegavam e depois os expulsava, em processo não tão rápido quanto a direita italiana gostaria. Agora, para resolver o problema, Berlusconi mandou construir um novo campo na ilha, onde os refugiados ficarão “hospedados” até que se conclua o processo de expulsão.
Ou seja, Lampedusa teme ter de conviver permanentemente com milhares de refugiados numa espécie de “prisão a céu aberto”. Seus 6.000 habitantes prevêem efeitos devastadores sobre o turismo, principal fonte de renda da ilhota – afinal, como diz a Der Spiegel, ninguém gostaria de passar férias numa Guantánamo de refugiados da África.
*Marcos Guterman é historiador e jornalista de O Estado de S.Paulo
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Mais de 10 mil mexicanos nos EUA aderem ao Programa de Repatriação

CIDADE DO MÉXICO, 30 SET (ANSA) - Mais de 10.500 mexicanos radicados ilegalmente nos Estados Unidos regressaram ao México, por meio do Programa de Repatriação Voluntária ao Interior 2009, que foi concluído ontem.
A Chancelaria e o Ministério do Interior do México informaram em comunicado que das 10.561 pessoas que retornaram ao país, cerca de 2.100 são mulheres e 800 menores de idade.
A sexta edição do programa começou no dia 21 de agosto com o objetivo de levar de volta ao lugar de origem, sem custos, os mexicanos ilegais nos Estados Unidos.
Os estados mexicanos de Chiapas, Estado do México, Guerrero, Michoacán, Oxaca, Puebla e Veracruz tiveram maior participação de migrantes, de acordo com o comunicado oficial.
Participaram da operação ainda a equipe dos Consulados mexicanos nas cidades norte-americanas de Nogales, Tucson e Yuma, assim como do Instituto Nacional de Migração do México, em coordenação com autoridades dos Estados Unidos da Patrulha Fronteiriça e da Agência de Aplicação da Lei de Aduanas e Migratória (ICE, na sigla em inglês).
Estima-se que cerca de 20 milhões de mexicanos vivam nos Estados Unidos atualmente e quase metade deles não tem documentação para permanecer no país.
Ainda em agosto, o presidente do México, Felipe Calderón, pediu, durante a Quinta Cúpula de Líderes da América do Norte, ao seu homólogo norte-americano, Barack Obama, que os Estados Unidos tenham "respeito aos direitos humanos e trabalhistas dos imigrantes" e de suas famílias.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Socialistas perdem maioria absoluta no Parlamento português

Nas eleições legislativas de Portugal, partido socialista de situação continuou a maior força, mas perdeu maioria absoluta no Parlamento. Coalizões com partidos menores de esquerda mostram-se problemáticas.
Após a apuração de quase todas as urnas das eleições legislativas portuguesas, realizadas no domingo (27/09), o Partido Socialista (PS) do primeiro-ministro José Sócrates obteve quase 36,5% dos votos. Com 29%, o Partido Social Democrata (PSD), de orientação conservadora, manteve-se como segunda força política no Parlamento português.
Duas coligações de esquerda conseguiram, respectivamente, cerca de 10% e 8% dos votos. O partido conservador Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP) confirmou sua posição de terceira maior força política, com 10% da preferência eleitoral.
Com objetividade e sobriedade
Já pouco antes do encerramento das últimas seções eleitorais na Ilha da Madeira, na noite de domingo, os prognósticos apontavam para um resultado claro: a candidata da oposição conservadora, Manuela Ferreira Leite, não conseguiria derrubar o socialista José Sócrates do cargo de primeiro-ministro de Portugal. Apesar de os socialistas terem perdido a maioria absoluta, eles ainda continuam, com grande vantagem, a maior força no Parlamento português.
Mesmo antes do final da apuração, a ex-ministra das Finanças Ferreira Leite reconheceu a derrota, com objetividade e sobriedade. "O resultado eleitoral concede a vitória ao Partido Socialista. Agradeço aos concorrentes e a todos os cidadãos que cumpriram o dever civil da participação política e de votar."
Dispostos à cooperação
No entanto, não foram muitos os eleitores que decidiram ir às urnas. A participação eleitoral de 60% foi um recorde negativo histórico. Após amargas experiências com promessas eleitorais não cumpridas, miséria econômica e uma corrupção aparentemente inerradicável, muitos portugueses deram as costas à política.
Manuela Ferreira Leite iniciou sua campanha eleitoral anunciando, abertamente, um programa de austeridade. Ela expressara a intenção de parar grandes projetos de construção de aeroportos e da rede viária, como também de traçados para trens de alta velocidade entre Espanha e Portugal.
No cômputo final, a presidente do PSD não pôde melhorar o resultado de seu partido em relação às eleições de 2005. Ferreira Leite declarou que os conservadores estariam dispostos a cooperar na superação dos problemas de Portugal, mas que não abririam mão de suas convicções.
Festa socialista
Pouco antes da meia-noite de domingo, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, festejou ser o grande vitorioso das eleições, ainda que o número de votos dos socialistas tenha diminuído cerca de sete pontos percentuais em comparação com a eleição de quatro anos atrás.
Na ocasião, Sócrates disse: "O Partido Socialista teve uma extraordinária vitória eleitoral. O povo falou e falou bem claro: o PS foi de novo escolhido para governar Portugal". O secretário-geral dos socialistas afirmou ainda que os resultados eleitorais "são uma importante vitória da democracia".
No entanto, governar sem maioria própria deverá ser bem mais difícil para Sócrates. Uma ampla coalizão está fora de cogitação. Da mesma forma, uma cooperação com partidos menores mostra-se problemática. Além das diferenças de conteúdo programático, ressalvas em relação a Sócrates dificultam as negociações: há muito o atual primeiro-ministro está envolvido em acusações de corrupção.
Coligações difíceis
Apesar disso, Sócrates anunciou negociações em ampla base. O político socialista afirmou que respeitava as instituições democráticas e que irá procurar o diálogo com todos os partidos representados no Parlamento.
Ao menos na coligação Bloco de Esquerda (BE), José Sócrates deverá encontrar grande resistência. O PS perdeu diversos eleitores para a coligação de esquerda. Eles ficaram decepcionados com a rígida política de austeridade da última legislatura, com as duras reformas e o desmantelamento do Estado social.
O BE dobrou seu número de votos. Com quase 10% do resultado eleitoral, o BE está quase no mesmo nível do partido conservador de direita (CDS-PP). Francisco Louça, coordenador do bloco do Bloco de Esquerda, afirmou que o BE alcançou seu objetivo e que "o partido é uma esquerda de alternativa que conseguiu derrotar a arrogância e o absolutismo da maioria absoluta do Partido Socialista".
A coligação entre comunistas e verdes, que obteve quase 8% dos votos nas eleições legislativas, deverá também ser um "osso duro de roer" para os socialistas: no contexto das eleições, eles anunciaram que rejeitarão uma coligação sob o comando de Sócrates. Este anunciou que continuará no seu caminho – possivelmente no comando de um gabinete de minoria.
Autor: Reinhard Spiegelhauer (ca)
Revisão: Augusto Valente
Fonte DWelle
domingo, 27 de setembro de 2009
Eleições voltam a confrontar partidos dominantes em Portugal

Os dois maiores partidos portugueses, o socialista (PS) e o social-democrata (PSD), que se alternaram no poder nas três décadas de democracia do país, voltam neste domingo (27) a decidir as eleições legislativas de Portugal.
Mas a pouca diferença de votos pode deixar a governabilidade do país, segundo todas as pesquisas, nas mãos de três partidos do segundo escalão --da esquerda marxista e da direita democrata-cristã--, que esperam ganhar destaque após quatro anos de uma maioria socialista monótona e absoluta.
O conservador Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP), de Paulo Levas, a Coalizão Democrática Unitária (CDU, comunistas e verdes), liderada por Jerônimo de Sousa, e o Bloco de Esquerda (BE), com Francisco Louça à frente, podem estar prestes a integrar o próximo Governo português.
O PS, fundado em 1973 e que tem o recorde de permanência no Governo (18 anos), parece conformado em não ter a maioria que, há quatro anos, deu comodidade a José Sócrates no poder. Além disso, chega à disputa com um forte desgaste, o que os demais partidos tentam aproveitar.
Entretanto, os socialistas estão confiantes e acreditam que conseguirão reter o poder que a legenda experimentou pela primeira vez em 1976, quando, após a Revolução dos Cravos, Mário Soares chegou ao Executivo, embora tenha permanecido no cargo por apenas dois anos.
Soares, o socialista com mais experiência de Governo, voltou ao Palácio de São Bento entre 1983 e 1985, e deixou uma forte marca política a favor de seu partido também como presidente da República, cargo que exerceu por uma década, a partir de 1986.
Já os social-democratas, que já tinham estado no poder nos breves mandatos de Mário Soares, chegaram ao Executivo através de outro grande nome da política lusa, Aníbal Cavaco Silva, atual chefe de Estado e primeiro-ministro durante quase uma década, entre 1985 e 1995.
Após seu longo mandato, os socialistas recuperaram o Governo com Antônio Guterres, que em 2002 teve que dar espaço a outro social-democrata, o atual presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.
Durão Barroso foi sucedido por seu companheiro de partido Pedro Santana Lopes, quando abandonou o Executivo português para assumir a Presidência da Comissão Europeia.
A até agora última etapa de poder social-democrata acabou com a arrasadora vitória de José Sócrates nas legislativas de 2005, que deu aos socialistas uma maioria absoluta pouco habitual ao longo da democracia portuguesa.
Agora, todas as pesquisas dão entre dez e 12 pontos a menos em relação aos 45% de votos do PS, seguido de perto por adversários do PSD que já venceram, embora por uma pequena margem, as eleições europeias de junho passado.
Se as pesquisas não se equivocarem e caso se repita um resultado similar a favor de um ou outro dos dois grandes nomes da política lusa, esse pode ser o ano dos pequenos partidos em Portugal.
A líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, pode ter como um aliado o conservador CDS-PP, capitaneado pelo ex-jornalista e ex-ministro Paulo Levas, que percorreu ruas e mercados em busca do que chamou do "voto dos desiludidos".
O CDS-PP foi colaborador de Governos de diferentes tipos, primeiro com o socialista Mário Soares e, posteriormente, em 2002, com o social-democrata Durão Barroso.
Na esquerda, a CDU participou de todas as eleições desde 1987 e pode ser um apoio necessário, mas difícil de conquistar, para Sócrates.
Seu líder, o comunista Jerônimo de Sousa, um antigo operário do setor metalúrgico, se mostra mais longe do PS que a legenda mais jovem da esquerda, o BE, criado em 1999 e agora terceira força política, prestes a ultrapassar a CDU nas pesquisas.
Seu dirigente, o professor universitário Francisco Louça, que foi líder estudantil na luta contra a ditadura, reconheceu "alguns méritos" do Governo Sócrates, mas se mostra também decidido a defender a todo custo um "autêntico" Governo de esquerda.
Fonte LUSA
Crise reascende ceticismo eleitoral entre portugueses
Lisboa, EFE).- A crise econômica em Portugal, a pior em três décadas, reavivou o ceticismo eleitoral entre os dez milhões de portugueses, que reprovam a classe política por não levar o país ao nível de desenvolvimento de outras nações europeias.
Basicamente, os eleitores terão que optar no pleito de amanhã entre dois modelos para sair da recessão: o dos investimentos públicos do Partido Socialista (PS), do atual primeiro-ministro José Sócrates, ou o da austeridade econômica do Partido Social-Democrata (PSD), da conservadora Manuela Ferreira Leite.
No entanto, nenhuma das duas propostas parece entusiasmar o povo, que segundo as pesquisas apoia em pouco mais de 30% cada um dos candidatos e se mostra muito preocupado com a situação econômica.
A taxa de desemprego cresceu em Portugal para 9,1%; as empresas não param de desaparecer - entre agosto de 2008 e o mesmo mês de 2009 fecharam 46 por dia -, e os baixos salários - o mínimo em Portugal não ultrapassa 500 euros - são frequentes em amplos setores.
Nas ruas não é difícil ouvir queixas pela situação do país e o fato de que, apesar de pertencer à União Europeia (UE) há duas décadas, Portugal ainda segue longe dos níveis de desenvolvimento de seus parceiros mais ricos.
Em um país que ainda tem no exterior cerca de dois milhões de emigrantes, equivalentes a um quinto da população, muitos reprovam seus governantes pela incapacidade de colocar o país na classe média europeia, como outras nações que entraram na UE em condições similares.
Entre os problemas econômicos do país estão os níveis de escolaridade - apenas 53,4% da população de entre 20 e 24 anos tem estudos secundários completos -, e a limitada cobertura de saúde pública - 3,7 médicos para cada mil habitantes.
Portugal aproveitou durante duas décadas os Fundos de Coesão da União Europeia, sobretudo para melhorar a infraestrutura do país, embora tanto entre os empresários como entre os sindicatos se lamente que não se tenha aproveitado mais para melhorar a competitividade da indústria ou a força de trabalho.
Esses subsídios, além disso, se veem agora minguados pela forte concorrência dos novos membros comunitários, provenientes, sobretudo, do leste da Europa.
As eleições legislativas de 2005, que deram a maioria absoluta ao PS de José Sócrates, terminaram com quase 35% de abstenção, que foi ainda muito maior nas eleições europeias de junho passado, quando rondou 63%.
Apesar da tendência ao ceticismo eleitoral, no último ano houve várias grandes manifestações em Portugal, protagonizadas especialmente pelos muitos funcionários públicos do país.
Professores, policiais e outros grupos contestaram nas ruas as políticas de redução de custos aplicadas por Sócrates, enquanto os partidos à esquerda do PS protestaram também para pedir mais atenção ao emprego e criticar as políticas "neoliberais" do Governo.
A perda de postos de trabalho em virtude da crise econômica internacional já levou em Portugal mais de 500 mil pessoas a centros de emprego e constitui, segundo as pesquisas, uma das principais preocupações dos eleitores.
A crise financeira mundial acentuou a tendência à reformulação em empresas estrangeiras e fez com que multinacionais como a alemã Volkswagen, cuja fábrica em Portugal dá trabalho direto e indireto a mais de nove mil pessoas, e a fabricante de chips Qimonda, a maior exportadora lusa, interrompessem suas atividades temporariamente.
sábado, 26 de setembro de 2009
Crise em Honduras - Governo brasileiro esperava linguagem mais dura da ONU


O governo brasileiro ficou frustrado com a linguagem usada na declaração da presidente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), Susan Rice, sobre a situação em Honduras, informa matéria de Sérgio Dávila publicada na Folha deste sábado (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
O Itamaraty esperava que a principal instância da ONU, presidida atualmente por Rice, embaixadora dos EUA, se pronunciasse de forma mais dura contra o conflito, chamando atenção de todo o mundo sobre ele.
Rice, no entanto, defendeu em seu pronunciamento que Washington acredita que seria a OEA (Organização dos Estados Americanos), e não o Conselho de Segurança, a instituição mais capacitada a lidar com uma crise regional como esta.
O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, concorda com o ponto de vista e afirma não ver razão para o envolvimento da instância maior da ONU, já que não se trata de um conflito armado.
Histórico
Zelaya voltou a Honduras quase três meses depois de ser expulso. Nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça, ele foi detido por militares, com apoio da Suprema Corte e do Congresso, sob a alegação de que visava a infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.
O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apoia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado --e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano, Hugo Chávez-- para desafiar a autoridade do presidente interino e retomar o poder.
Isolado internacionalmente, o presidente interino resiste à pressão externa para que Zelaya seja restituído e governa um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar --além da cúpula da Igreja Católica-- unida em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será passada de Micheletti apenas ao presidente eleito em novembro. As eleições estavam marcadas antes da deposição, e nem o presidente interino nem o deposto são candidatos.
Mas o retorno de Zelaya aumentou a pressão internacional sobre o governo interino, alimentou uma onda de protestos que desafiaram um toque de recolher nacional e fez da crise hondurenha um dos temas da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), reunida em Nova York esta semana. A ONU suspendeu um acordo de cooperação com o tribunal eleitoral hondurenho e a OEA planeja a viagem de uma delegação diplomática a Honduras para tentar negociar uma saída para o impasse.
Pelo menos duas pessoas morreram em manifestações de simpatizantes de Zelaya reprimidas pelas forças de segurança durante um toque de recolher que foi suspenso nesta manhã. Nesta quinta-feira, houve novas marchas em favor do presidente deposto, mas também manifestações favoráveis ao governo interino.
Fonte Folha Online
O governo brasileiro esperava? Sinceramente, devia ser o único! Imagine a cena: Um sul americano está refugiado em outra Embaixada sul americana, não eh a Embaixada americana que está sitiada. Honduras eh um 'paiseco' no meio do Caribe. Para o Conselho de Segurança da ONU eh mais óbvio que se trata de briga de quintal. Afinal, não temos armas químicas, nucleares, genocíodio envolvido em nada.
Com exceção do Haiti e da República Não-Democrática Chavista, o Conselho de Segurança da ONU tem problemas mais sérios para intervir.
Mas, se der problema, vai ser um daqueles !
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Alemães chamam migrantes e seus descendentes de "concidadãos estrangeiros"
Na Alemanha, vivem hoje mais de 15 milhões de pessoas com origem migratória. Muitas delas têm a cidadania do país, embora sejam com frequência chamadas oficialmente de "concidadãos estrangeiros".Essa nomenclatura, diz Marlis Bredehorst, encarregada de questões relacionadas a migrantes na prefeitura da cidade de Colônia, "soa para mim como se alguém não pertencesse ao todo, sempre associo àquele que pode tomar junto uma refeição, mas não faz parte da família. Isso caracteriza, de fato, uma postura: a de que há 'nós' e 'os outros'".
Bredehorst pergunta o que define esse "nós" e o que o separa dos "outros": questões imanentes à ideia de "concidadão estrangeiro". Para Lina Hüffelmann, do Conselho de Refugiados de Colônia, é difícil para um "concidadão" se tornar um dia um cidadão normal.
Isso porque "se trata de um concidadão estrangeiro, isso é mencionado acima de tudo. E significa que não se trata de alguém 'normal', como todos os outros, mas sim de um concidadão especial, o que é sempre realçado. Esse estado é geralmente atrelado à nacionalidade da pessoa ou, de qualquer forma, à categoria especial", observa Hüffelmann.
Dicotomia inevitável
A situação é complexa. Claro é que há pessoas que migraram para a Alemanha, vindas de países distantes. A questão é saber se, no dia-a-dia, é legítimo continuar perguntando a essas pessoas sobre suas histórias de migração. Os próprios "concidadãos estrangeiros" hesitam tanto quanto os antigos habitantes do país frente a essa pergunta, acredita Bredehorst.
"Lembro da história dos negros nos EUA, que sempre dizem 'não me observe, porque sou negro'. E, num segundo momento, dizem 'mas me observe, porque sou negro', pois sou discriminado por isso. Acredito que ainda vamos viver muito tempo com essa dicotomia, até chegarmos a uma sociedade alemã na qual a diversidade terá se tornado normal", diz Bredehorst.
Mudanças idiomáticas
A Alemanha, hoje, é um país de população diversa. Uma sociedade civil múltipla, no entanto, ainda não foi formada, enquanto persiste uma sociedade composta em parte por "concidadãos". Ou seja, este não é um conceito inocente, diz Hüffelmann, mas sim uma nomenclatura que reflete as relações de poder dentro do país.
"A questão é que esse conceito é utilizado e foi criado pela maioria da sociedade e não pelos migrantes ou pessoas de origem migratória, não importa que palavras sejam usadas para caracterizar esse grupo. Primeiro eles eram chamados de 'estrangeiros', depois de 'forasteiros', então de 'migrantes', 'pessoas de origem migratória', 'pessoas com história de migração'. Há sempre tentativas de modificar idiomaticamente esse conceito, mas o que se esconde por trás disso ainda é a divisão entre 'nós' e 'eles'", analisa Hüffelmann.
Autor: Kersten Knipp (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer
Fonte DWelle



